sexta-feira, 3 de abril de 2015

Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo



Paris é Logo Ali


Olá pessoal, participo de um grupo de leitores e, no começo deste ano, surgiu uma polêmica sobre o livro: Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo. A pessoa responsável pela postagem ficou muito sem jeito diante de tantas críticas e disse que o doaria quando terminasse a leitura. Fiquei curioso para entender o motivo da “pendenga” e entrei em contato com ela o solicitando ;) Vamos nos sentar e enquanto tomamos um cafezinho, eu contarei como foi essa experiência. A capa é acetinada e o conteúdo diagramado em letras grande e com lindas fotografias ora das próprias autoras, ora de modelos e paisagens. Todas remetem a algum tipo de reflexão feita sobre o cotidiano das pessoas. Visivelmente, o livro é muito agradável e bonito. Vejam alguns comentários:


Por fim, de quem eu ganhei o livro: 


COMO SER uma parisiense? Seria difícil caso não tivéssemos nascido em Paris, isso é óbvio e soaria ridículo (perdoe-me pela palavra, mas ouvi muito por conta da discussão) e imaginei que as autoras só poderiam ter surtado para tamanha pretensão. Continuando a frase "em qualquer lugar do mundo" ora, poderíamos ser, portanto, parisienses aqui no Brasil onde os pássaros não gorjeiam como lá ou acolá? Nós nos tornaríamos caricaturas de parisienses? O que haveria de interessante em ser um parisiense?  
  
“Mergulhei na leitura” sem nenhum preconceito ou medo de ser feliz. O livro é escrito por quatro mulheres lindas e independentes. São cineastas, empresárias, modelo representante de grande marca e que possui ONG de ajuda as mulheres em todo o mundo, jornalistas, produtoras e escritoras que se reuniram para montar um grande puzzle com fragmentos de textos, imagens e nos divertir com a grande jogada do "como ser" que na verdade é uma fantasia. Todo o folclore que existe em torno de ser um parisiense é parecido com o que dizem a respeito da beleza das mulheres brasileiras ou o jeito de ser do carioca, o mineiro, o nordestino, os gaúchos e etc. O "como ser”, nesse sentido, mostra ao mesmo tempo que a possibilidade de ser ou se camuflar de, desperta aversão daqueles que possuem uma relação cultural estreita com Paris e que não se sentem representados na obra. Eis o motivo do rebuliço: preconceito. Óbvio, que o livro não daria conta do todo de uma cultura. 

É de fácil leitura, no máximo dois dias. A partir do momento em que o leitor percebe que se trata de uma fantasia, um desejo utópico, uma brincadeira de "ser" com as autoras, ou até mesmo uma provocação, a leitura flui numa boa. Seria um livro raso? Depende. Quanto de bagagem o leitor possui da vida? O que aprendeu, dividiu e somou com os avós? Quanto tempo perdeu com relacionamentos fugazes? Conhece o seu corpo? O que é ser mãe? São perguntas que despertam para a reflexão consigo e o diálogo com o outro. Por isso, não o acho tão raso nem ridículo.

Fotografei um trecho do livro e o postei no mesmo grupo. Perguntei o que achavam, se discordavam ou acrescentavam. Eis o trecho: 

(página 137)



A experiência foi muito positiva, muitas mulheres reforçaram que não se trata de um livro superficial ou ofensivo à inteligência, simplesmente, porque foi possível discutirmos o seu conteúdo. Vivenciamos os sabores e os dissabores do amor, e a cada passo uma nova experiência, aprendizado, um ciclo, um renascimento...A possibilidade de "ser" uma parisiense em qualquer lugar do mundo, é porque todos compartilhamos da mesma dor ou prazer de sermos humanos em qualquer lugar do mundo. É uma leitura para quem quer rir um pouco de si e relembrar o passado, mas sem rancor porque o livro não é para quem esteja de mal com a vida, muito menos autoajuda para quem não tem elegância, porque isso não se compra. A receita de sobremesa de maçã, do pó de café no ralo da pia, de retirar a maquiagem para dormir, desistir daquele homem complicado que não será seu, sorrir nas fases difíceis, amar e cuidar dos filhos sem esquecer de si mesmo, se reunir com os amigos, beber, comer, ler...

          Sim! Somos todos parisienses!

Foto: Francesca Mantovani


ROBERTO TERRA
Publicado em parceria num blog Aqui