quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Onde Nasce a Infância...



Naquela manhã cujo sol se torna rápido no céu, um menino brinca à sombra de seu quintal. Não me parece triste por estar só, nem cansado por arrastar todos os seus brinquedos à sua casa na árvore. O menino parece tão frágil e doce, mas na verdade é forte, mais forte que eu. O que pensa este menino que brinca só em seu quintal? Terá ansiado em algum momento um amigo aquém compartilhasse seus sonhos? De onde retirava tanta imaginação e criatividade?

Eu o vejo brincando sozinho e me comovo. Porque eu sei o que ele pensa...

O tempo parece não passar naquela manhã... até que escuta o chamado:- venha almoçar! Ele não quer, pensa em não ir, mas sente fome... come às pressas porque sua brincadeira não pode parar... Não me lembro das refeições desse menino. Como será que ele procedia à mesa? Ele gostava de batatas- fritas! disso me recordo bem.
De repente avista um avião; ele corre pelo quintal, corre como se não houvesse fim, como se não existisse o cansaço... Seus pequeninos braços acenam ao avião rumorejante no céu infinito. Penso que se elevasse mais um pouco o seu pé, conseguiria alcançá-lo com sua mão. Acena e cessa sua corrida até o perder de vista...
Por alguns instantes o menino deixa de sorrir...mas logo se abaixa e apanha a sua cadela, natasha, rodopiando-a em seus braços...
Alegria sem fim...

Eu o vejo brincando sozinho e o toco. Como se minhas mãos o fizesse se sentir menos solitário. Como se elas o protegessem de quaisquer ínfimos pensamentos... Como se elas o equilibrasse para não cair.
Eu o vejo brincando sozinho e o amo... Porque eu o guardo em mim...Porque ele existe dentre sombras de sonhos perdidos e realizáveis; dentre palavras ameaçadoras e fantasmas debaixo da cama ou talvez exista em algum reflexo ao me olhar no espelho...

O menino posa para fotografar... num desses dias em que sua mãe o prepara para algum acontecimento. Seus olhos sempre interrogativos, curiosos... por vezes penso que são tristes mas, como poderia ser?. Por vezes não sei se é eu quem o olha e perscruta segurando a fotografia ou se é ele quem o faz.
Chora de dor... num desses dias em que nenhuma das brincadeiras o anima... E então eu me angustio, rodo em torno da casa e choro também, pois sinto a mesma dor e desespero... Ainda bem que a vida é um constante movimento e logo a alegria voltaria a aparecer.

A vida, um mar ou um céu, infinita de novas descobertas...
O menino se esconde, procurando ficar sozinho porque sente que há coisas que se descobrem nesse momento. Seja deitado sobre a caixa d’água(imagina flutuar e formar desenhos com as nuvens do céu) ou sentindo o vento soprar forte movimentando os seus cabelos e relvas, afagando seu rosto ao mesmo tempo que se desprende uma folha, caindo lentamente ao seu lado... Era no domingo que ele preferia ficar só, talvez por opção ou a condição lhe impunha tal constância (alguns domingos eram tristes ou sem graça) Em todos esses momentos em que estivera só, ele pode aprender algo e interagir com a vida... A vida era um grande palco onde não havia protagonistas, nem o bem nem o mal, nem o certo nem o errado. Somente personagens que lutavam juntos por um momento de glória para não se perderem em meio ao esquecimento do “mundo adulto”.

Ele pulsa em mim... Com o tempo se tornou presente e intenso. Esse que tanto amo e vejo toda vez que me detenho frente ao espelho. Eu sorrio para ele... O menino me abre os braços...
... nasce o aprendizado de um novo ser.
ROBERTO TERRA

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Relacionamento ruim?


Henri Matisse: L’Odalisque.

O ser humano nasce sozinho, mesmo que tenha um irmão gêmeo! O que eu quero dizer com isso? Poxa! de onde vem a idéia que se fulano (a) se separar ou terminar comigo, morrerei? Será um excesso das leituras shakespearianas? Talvez! O fato é que desejar o outro e "tentar" se apossar disso fica bem complicado néh..
O que temos de reconhecer é que a infância é bem divertida mesmo! mas crescer,, virar adulto é coisa complicada...tem gente que quer se tornar objeto de devoção! De qualquer forma, Freud explica...
Ok! Confesso! já tive essa sensação. Você me pergunta: adiantou?
Resposta: Não!
O relacionamento já não estava bom, minha auto-estima abaixo do nível do mar. É difícil mas reconhecer um relacionamento ruim ajuda bastante a lidar com isso.
Não adianta tentar se apoderar da vida do outro (a) achando que viverá um sonho encantado para sempre. A vida é muito dura pra quem esta aprendendo, mas também é muito generosa pra quem aprendeu com os erros, com as experiências.
Sou otimista em pensar que tudo podemos “consertar” a única coisa que não fica bem consertada é sabonete quebrado, porque por mais que o juntemos não fica a mesma coisa (risos)... caro leitor(a), você pode opinar se quiser sobre as coisas que depois de quebradas não serão as mesmas ok?!
Bom, o mundo nos dá sempre novas oportunidades, basta alcançarmos isto.
Ciúmes pra quê? O mundo é infinito de descobertas e a cada dia poderemos descobrir algo e/ou alguém que possa nos fazer realmente conhecer o que chamam de felicidade.
Ah! E o melhor disso tudo é que não pagamos nada por isso. Que tal tentarmos?
Boa sorte!